A formação mais procurada no Mundo.

Reflexões sobre EAD – Minhas experiências como aluno e professor

foto_ramos Reflexões sobre EAD – Minhas experiências como aluno e professor

Ramos de Souza Janones

Janones, é um empreendedor brasileiro apaixonado por empreendedorismo e tecnologia. Ao longo dos anos trabalhando com o desenvolvimento de softwares desktop desde a linguagem Clipper, passando pelo Delphi e atualmente com Java.

Optou pela formação de Publicidade e Marketing por sua segunda empresa de tecnologia ter participado do "boom" da internet nos anos 90 e na procura de melhorar seus conhecimentos em negócios.

Em razão da principal formação e profundos conhecimentos em programação e banco de dados, é capaz de realizar o desenvolvimento de aplicativos web, desktop e mobile com maior criatividade e inovação que profissionais de desenvolvimento com uma formação única e mais especifica, dedicada somente ao desenvolvimento de softwares.

Com toda sua experiência com empresas de software, sua formação e paixão por negócios escreveu o livro "Marketing para Empresas e Profissionais de Software", publicado pela editora carioca Ciência Moderna em 2012. Além de outros livros sobre programação.
foto_ramos Reflexões sobre EAD – Minhas experiências como aluno e professor

Últimos posts por Ramos de Souza Janones (exibir todos)

Escrevo estas reflexões inicialmente para mim e compartilho como forma de criar um debate sobre o tema passando minhas experiências, erros, sucessos e o que fazer e não fazer. Para melhor reflexão exponho experiências como aluno e professor.

Faço essa reflexão devido a uma sensação de fracasso no último webinar ministrado por mim os quais não adotei boas práticas e experiências que fazia sem pensar e davam certo porque fazia corretamente e desta vez foi muito à “deixa me levar”. Por este motivo escrevo pra mim para que possa não esquecer e aprimorar. Mas fique à vontade de abrir debate sobre o tema.

Como aluno

Já tive experiências que foram boas e experiências que foram horríveis. Como o que marca são é as horríveis – sem citar nomes de empresas, com exceção de uma que foi a pior de todas e me surpreendeu, devido ao fato de ser uma instituição renomada – vou iniciar com as “horríveis”.


Como sempre faço é na área de tecnologia e negócios (são coisas que gosto), teve uma formação de Linux onde as aulas eram todas em tempo real. Não havia screen-share (compartilhamento da tela de computador do professor com os alunos) era basicamente um tutorial em slides aonde o professor ia passando os passos para que os alunos fossem fazendo e o professor ficava aguardando que todos os alunos dissessem que tinham feito pra avançar o próximo slide com o próximo passo e no chat os alunos tiravam dúvidas com o professor, quando algo não desse certo. Eram aulas entediantes, alguns alunos com erros muito simples. Mas no final dava certo. Apesar de dar certo, particularmente, não gostei.

Mas a pior experiência, por incrível que pareça, foi com a FGV Online, num curso de extensão em gerenciamento de projetos. Acreditem: as aulas ao vivo eram 100% via chat de texto. O professor ficava escrevendo em tempo real os temas das aulas e ao mesmo tempo respondendo dúvidas, tudo via texto. Um grande desperdício de tempo: o professor escrevendo no chat com tempo limitado e todos esperando a digitação. Uma empresa como a FGV fazer isso em tempos de streaming bons é um completo erro. Mas justiça seja feita: os cursos presenciais são excelentes, mas não recomendo nenhum curso on-line da FGV. Façam da Unopar, que eles têm muito mais recursos EAD e você perderá menos tempo com essa falta de tecnologia da FGV e aprenderá muito mais. Pra mim, pelo menos, é mais importante absorver o conteúdo, aprender, que o título de uma instituição renomada.

Sei que a FGV Online pode chegar a ler esta minha reflexão. Espero que levem como uma critica construtiva e possam reformular sua estrutura de treinamentos on-line que vá além do Moodle (https://moodle.org/) afinal, hoje em dia não é alto o valor de se ter recursos mais avançados que, aliás, o próprio Moodle oferece os mesmos, só que pagos: paguem.

Já um exemplo positivo, e com aulas ao vivo e com screen-share, utilizava de ferramenta de transmissão excelente, que merece a divulgação do nome por ser muito boa a ferramenta: o TreinaTom da E-Genial (http://www.treinatom.com.br/). Este já utilizei bastante em outros eventos. Mas voltando a este curso em especial que assisti: As aulas eram muito boas e as dúvidas eram sempre deixadas no final e, caso tivessem dúvidas, poderiam assistir a aula gravada depois e tirar dúvidas pelo Fórum de discussão. E mais importante, durante o screen-share era impossível de o professor acompanhar os chats, por isso haviam monitores que ficavam exclusivamente para tirar as dúvidas dos alunos em chat privado e público, o que não atrapalhava o andar da aula. Sem dúvidas esta é a melhor opção. E no final estes mesmos monitores selecionavam as dúvidas dos alunos e passavam ao professor, deixando a dinâmica do curso muito melhor.

Como professor

O TreinaTom, como disse, foi a melhor opção. Junto a dois monitores que sempre arrumava pra me auxiliarem nos chats, já que não ia dar atenção até que terminasse a apresentação (Sim, pessoal para acompanhar transmissões on-line em tempo real são de vital importância). Sem mencionar que no screen-share: temos que desativar a webcam em respeito à velocidade de transmissão da tela de nossos computadores para os servidores e o recebimento em tempo real para os alunos. Aquele webcam mostrando nossos rostos e nos vendo nela durante as aulas é terrível para quem ta fazendo apresentação, acaba por tirar parte da atenção do professor com o tema apresentado. Somam-se a isso um chat com 50, 100, 200, 300 pessoas escrevendo e tirando sua atenção, fazem da apresentação um possível fracasso, se não fossem os monitores para lhe auxiliar. E o simples fato de desativar a webcam para iniciar um screen-share e os monitores para tirarem dúvidas durante a apresentação deixa as aulas mais fluentes para quem está apresentando e para quem está participando. Deixando que as dúvidas, que ainda sobraram, fiquem no final (sem webcam) e com os monitores ajudando a escolher as perguntas, porque muito das vezes (ou o tempo todo) são apenas as pessoas conversando entre si e fazem o professor ficar lendo e perdendo o dinamismo da aula.

É ai que volto ao motivo desta reflexão e o motivo de achar que meu último webinar foi um fracasso: estava utilizando uma ferramenta de transmissão totalmente desconhecida – apesar de intuitiva – ficava me vendo o tempo todo na tela do webcam e não tinha nenhum monitor para me auxiliar com as 310 pessoas que estavam assistindo e interagindo. Vejam o resultado: https://www.eventials.com/ramosdainformatica/sencha-touch-phonegap-desenvolvendo-para-7-plataformas-mobile/ Mas antes de tudo: a culpa foi minha, por não ter explorado a ferramenta direito antes e não ter colocado nenhum monitor para me auxiliar. Além do TreinaTom também indico a Eventials. Outras ferramentas e experiências, por favor, compartilhem nos comentários.

Aulas ao vivo VS aulas gravadas

Cheguei à conclusão que, se não tiver monitores para acompanhar e dar suporte ao chat é melhor não fazer uma apresentação ao vivo. E sempre arrume uma desculpa para desativar a webcam para eliminar os “ruídos de atenção” tanto do professor quanto dos alunos, focando no conteúdo e na forma de apresentação. A menos que seja ao vivo em sala de aula, onde mostre as expressões do corpo que ajudam na mensagem, mas que o fato de se ver não atrapalhe na comunicação. Aliás, eliminar ruídos de comunicação é muito importante.

Aulas gravadas são excelentes. Há alguns anos produzi um DVD + CD Multimídia complementar com o tema “Sucesso com Software”. Investi na produção dos vídeos, na época, 5 mil reais. Em um ano, apenas pela internet em meu site, comercializei pouco mais de 1.300 cópias a um valor de R$ 64,00 cada. Foi um grande sucesso. E o mais importante: as pessoas gostavam e indicavam, mandavam depoimentos, dúvidas por e-mail, eu produzia podcasts quando eram muitas dúvidas e dúvidas repetidas, foi um período muito bom e interessante. Os podcasts eram livres e chamavam a atenção, despertava interesse no curso e criava relacionamento e vendas. Foi um excelente investimento e uma experiência muito agradável e interessante. Detalhe: O curso custava apenas R$ 64,00 e todos recebiam um cupom de R$ 100,00 para testar o site BuscaPé como mais um recurso de divulgação de seus softwares. Ou seja, o curso era grátis e os alunos ainda saiam ganhando R$ 36,00.

Como na época não existiam ferramentas de treinamento on-line como existem hoje em dia, os streamings eram muito caros e nem as fontes de distribuição de conteúdo em vídeo, como há hoje em dia (Youtube hoje se pode cobrar pelo conteúdo, a Udemy, Marketplaces, iTunes, etc), as vendas foram caindo (a famosa curva de vendas), não tinha distribuidor para colocar em bancas ou livrarias e por isso resolvi transformar em um livro (www.sucessocomsoftware.com.br) acrescentando mais conteúdo ao que já produzido. Se soubesse que hoje em dia teria esses canais todos para distribuição, muito provavelmente continuaria sendo um curso ao invés de livro. Mas às vezes penso que existiam, mas quando colocamos algo em mente (o método clássico de distribuição) e não estamos inseridos em um grupo de interesses não abrimos a mente para outras formas. E muito provavelmente algumas destas formas de distribuição já existiam ou estavam em seu inicio e desconhecia.

Hoje em dia, como já dito, existem diversas canais de vendas e plataformas onde podemos distribuir conteúdos em vídeo e áudio. E que, caso não seja possível conseguir monitores para apoiar as transmissões em tempo real. É a melhor solução. E penso além: não ficar só com os vídeos e áudios: criar dias da semana com eventos em tempo real, só para dúvidas. Além das ferramentas tradicionais: fórum de discussão, e-mails e podcasts.

E as aulas gravadas podem ter diferenciais, investindo na produção e na pós-produção, deixando o conteúdo mais interessante e rico de informações e, por que não, se diferenciando de conteúdos gratuitos que existem aos montes por ai.

Alguém pode se perguntar, eu mesmo já me perguntei isso: Porque criar conteúdo se há tantos conteúdos grátis por ai? A resposta é: Porque só você tem uma determinada experiência que outros não tenham; Você fica motivado a responder seus alunos se diferenciando dos gratuitos; Se bem produzido é mais interessante e motivador que um apenas gravado e publicado. E há uma infinidade de respostas para esta mesma questão.

Então ficam aqui lições aprendidas na prática que servem a quem está interessado, mas para minha lembrança também:

Lições para eventos, treinamentos online para grupos de pessoas em tempo real:

  1. Abra a Webcam somente no começo da aula, apenas como apresentação. É importante eliminar as distrações. Distrai o professor que fica se vendo, distrai os alunos tirando o foco da apresentação, do conteúdo.
  2. Tenha pessoas que lhe dão suporte durante a apresentação, que permitam que você foque no tema, que auxiliem seus alunos e lhe passe o que é dúvida, ao invés de ficar lendo o chat, caçando o que é dúvida e o que é bate papo. Melhora a dinâmica e deixa a apresentação mais interessante. Além de te obrigar a fazer a apresentação para alguém até mesmo para testar antes e treinar o/os monitores.
  3. Deixe a webcam aberta somente se for um bate papo entre dois especialistas sem se preocuparem com os que acontecem no chat. E mesmo assim, tenha ao menos um moderador para aplicar ao bate papo perguntas relevantes ao tema que surgirem nos chats que possam tornar o bate papo mais interessante.
  4. Tenha um mix de aulas ao vivo e aulas pré-gravadas. Assim o conteúdo fica mais interessante e dinâmico.

Lições para cursos gravados:

  1. Se não tem como ter monitores para lhe auxiliar nas transmissões ao vivo, em grupo, não faça, prefira gravar e tirar as dúvidas por outras formas: e-mail, fórum, listas de discussões, podcasts, artigos, outros vídeos.
  2. Utilize-se dos mais diversos tipos de canais de distribuição e formas de apresentações de conteúdos existentes.
  3. Invista numa produção e pós-produção melhor. Vale à pena, deixa o conteúdo mais interessante.
  4. Invista em treinamentos na área de comunicação: em casos de conteúdos onde sua imagem não é importante, mas o conteúdo em si por meio eletrônico (vídeos com telas do seu computador, podcasts, etc) onde não há a comunicação corporal, procure uma fonoaudióloga especializada em mídia. Acredite: mesmo ainda sendo ruim (vejo muito erros) quando freqüentei uma fonoaudióloga para melhorar minhas apresentações gravadas há um antes e um depois, o depois é totalmente melhor que o antes. (Nota pessoal: preciso voltar a freqüentar minha fonoaudióloga).
  5. Invista em sistemas de e-learning como o Moodle e até mesmo o WordPress (sim, o WordPress também pode ser usado como EAD, perfeitamente!).

Se tiver mais dicas e experiências sobre o tema, inicie nos comentários.

Ah, se gostou deste artigo, vai adorar este livro:

Livro do curso: Marketing para Empresas e Profissonas de Software

capalivro Reflexões sobre EAD – Minhas experiências como aluno e professor

Esta obra tem como objetivo levar o leitor a pensar sobre todas as estratégias de mercado a fim de se destacar da concorrência no setor de software, aumentando suas chances de vendas. 

Em todos os capítulos do livro há estudos de casos, conteúdos complementares e dicas de ferramentas que tornam a obra completa, levando o leitor a uma reflexão de todo seu negócio e tornando-o competitivo e lucrativo.

Mais sobre o livro….

 

Compartilhe.

PinIt