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Saia da zona de conforto antes que você seja chutado fora dela!

foto_ramos Saia da zona de conforto antes que você seja chutado fora dela!

Ramos de Souza Janones

Janones, é um empreendedor brasileiro apaixonado por empreendedorismo e tecnologia. Ao longo dos anos trabalhando com o desenvolvimento de softwares desktop desde a linguagem Clipper, passando pelo Delphi e atualmente com Java.

Optou pela formação de Publicidade e Marketing por sua segunda empresa de tecnologia ter participado do "boom" da internet nos anos 90 e na procura de melhorar seus conhecimentos em negócios.

Em razão da principal formação e profundos conhecimentos em programação e banco de dados, é capaz de realizar o desenvolvimento de aplicativos web, desktop e mobile com maior criatividade e inovação que profissionais de desenvolvimento com uma formação única e mais especifica, dedicada somente ao desenvolvimento de softwares.

Com toda sua experiência com empresas de software, sua formação e paixão por negócios escreveu o livro "Marketing para Empresas e Profissionais de Software", publicado pela editora carioca Ciência Moderna em 2012. Além de outros livros sobre programação.
foto_ramos Saia da zona de conforto antes que você seja chutado fora dela!

É fato, o nosso cérebro primitivo busca estabilidade, previsibilidade, e o mínimo de gasto energético para mantê-lo seguro, nutrido e vivo. Curiosamente, este mesmo órgão de vez em quando dá uma cutucada e nos provoca a sair do lugar, a desvendar o desconhecido, questionar esta tão buscada estabilidade e – opa! – inclusive arriscá-la em busca de algo maior. A mente humana é de fato confusa, e felizmente existe filosofia, terapia, meditação, corrida, surf, cerveja, vinho e ombros amigos para aliviar nossos permanentes conflitos. Mesmo assim, não dá pra ignorar o fato de que querendo ou não a almejada estabilidade está cada vez mais longe da grande maioria dos mortais, especialmente nós aqui desta terra tupiniquim neste ano de 2015.

No mundo corporativo são camadas hierárquicas sendo cortadas por todos os lados, acúmulo de responsabilidades, metas cada vez mais distantes e a insegurança crescente de que sua cadeira pode rodar. No universo criativo e empreendedor, profissionais de todas as idades buscam lançar o próximo aplicativo blockbuster, criar a nova e mais eficiente ferramenta de produtividade e encontrar a tão sonhada autonomia e independência financeira – atitudes que nós pessoalmente admiramos, porém inseridas em um contexto com demanda exponencial de investimento e disponibilidade de capital limitada. Na pauta educacional são críticas e provocações a mudanças comunicadas diariamente, vindas de pesquisadores, especialistas e, notadamente, da própria sociedade civil. Na grande maioria, são iniciativas que aspiram a nos levar a um cenário mais próximo do verdadeiro aprendizado, o que é muito bom. Mesmo assim, só reforça o sentimento de que o mundo e a forma como vivemos está sendo disrupted, tendo suas estruturas dramaticamente abaladas. Até o sonhado mundo dos concursos públicos, brasão da busca por estabilidade e com cada vez mais aspirantes, samba a ritmos imprevisíveis liderados com maestria por contas públicas apertadas e instabilidade macroeconômica.  

Assim, cabe a pergunta: o que fazer para navegar melhor esta galáxia de incertezas e ambiguidades? Como não se desesperar com a expectativa de que podemos, a qualquer momento, ser chutados bem longe da nossa zona de conforto?

O caminho proativo é sair deliberadamente dessa tal zona de conforto, decidindo conscientemente e contra a vontade daquele cérebro primitivo provocá-la e desafiá-la. Com o tempo, esses exercícios resultam em músculos mais fortes e bem definidos, e num corpo e mente preparados para lutar e até se divertir quando este chute vier. Afinal, um chute dói muito menos num corpo de atleta, musculoso e bem treinado, do que num corpo franzino e sedentário.

Mas, e como dar o primeiro passo para fora da bolha que constitui a nossa rotina? Arriscamos aqui algumas ideias lógicas e ações concretas, que foram testadas e comprovadas em nossas experiências passadas, como gestores ou coaches.
  

1. Reconheça onde você está hoje: Em que contexto de indústria, função e geografia você se encontra? Qual sua progressão de carreira até o momento e a perspectiva de crescimento no seu emprego atual? Em quais áreas, concorrentes e indústrias você se enxerga agregando valor e entregando impacto – ou em outras palavras, quais habilidades do seu emprego atual podem ser facilmente aplicadas em outros contextos? Antes de iniciar qualquer esporte desafiador é importante fazer uma avaliação médica a fim de diagnosticar sua condição física atual e desenhar um plano de treinamento saudável e robusto. Com sua carreira, funciona da mesma forma: um diagnóstico honesto e concreto, baseado em fatos de onde você está hoje é um passo fundamental para garantir a solidez do seu roadmap futuro.

2. Fazendo analogia a estratégia de investimentos financeiros, diversifique seu portfólio de habilidades profissionais: um investidor diminui seu risco ao investir num portfolio variado de empresas (leia-se geografia e setor). Assim, nos momentos em que uma vai mal, provavelmente existe outra para equilibrar a equação. Por que não fazer o mesmo com suas habilidades? É importante saber navegar e se comunicar com áreas funcionais distintas (marketing, finanças, operações, RH), desenvolver habilidades que permitam que você consiga facilmente ser realocado a outras áreas e geografias e se sentir pronto para rapidamente fazer acontecer além da sua própria bolha.

3. Desafie-se nas horas vagas: Mas a vida não é só trabalho e tudo o que fazemos fora dele impacta nossa percepção sobre o mesmo. As pessoas com quem interagimos e as atividades que ocupam nosso tempo fora do escritório influenciam a forma como nos enxergamos como indivíduos e profissionais. Assim, cabe refletir sobre como gastamos, ou investimos, nossas horas vagas: (1) dormindo, (2) em frente à TV, (3) desbravando um livro, um conceito novo, e provocando a mente a aprender algo diferente, (4) praticando ou conhecendo um esporte que desafie o físico, (5) viajando e explorando territórios desconhecidos que desafiem nossa percepção de como o mundo funciona e do que é certo ou errado? A lista é longa, e o importante é mesclar descanso e desafios, consciente de que o cérebro é plástico e, se fizermos a nossa parte, novas sinapses continuarão a acontecer.

4. Descubra e explore paixões pessoais (que podem eventualmente se transformar em profissionais): Não é fácil saber quais são nossas verdadeiras paixões. Não é um processo intelectual, racional; ao contrário, é algo orgânico, prático, que acontece à medida que vamos explorando e vivenciando possibilidades. Exemplo: eu (Alex) só descobri que corrida era uma paixão depois de 3 meses de prática contínua 3 vezes por semana. Vencida a primeira fase de euforia, cansaço e adaptação, pude perceber depois de 3 meses o quanto minha vida havia melhorado em função do exercício. Da mesma forma, libere a curiosidade e explore novas fontes de energia: trabalhos manuais, voluntariado, esportes radicais, caminhadas na natureza, alimentação consciente, meditação, música, viagem independente por lugares inóspitos e pouco explorados. Dedique tempo e energia para explorar interesses e necessidades adormecidas, abrindo novas avenidas de possibilidades.  

5. Experimente possibilidades de transição e maior aprendizado: Dando um passo mais largo, por que não investir em transformações mais radicais, como se preparar para uma mudança de setor ou até mesmo de país? Aqui o investimento de tempo, energia e dinheiro é muito maior, e por isso as decisões devem ser ponderadas de acordo com sua situação financeira e familiar. Estamos falando de mestrados, MBAs ou PhDs no exterior, em escolas de primeira linha, que podem abrir possibilidades pessoais e  profissionais antes inimagináveis. Sem precisar ir tão longe e com investimento muito mais modesto, profissionais interessados em mudar o mundo através de empreendedorismo social tem a possibilidade de aprender na prática engajando-se com instituições que propõe modelos inovadores de aprendizado. Por que não buscar soluções para desafios e problemas sociais sem fazer mudanças radicais de carreira, experimentando e aprendendo aos poucos? Programas de pós-graduação com este propósito, por exemplo, podem funcionar como uma plataforma de transição de carreira e uma ponte para um mundo com pessoas, valores e definições de sucesso potencialmente diferentes e reveladores.

Ao reconhecer que seu valor profissional não se limita apenas a um cargo no setor X na empresa Y as possibilidades aumentam, assim como diminui sua dependência (emocional) do que está escrito no seu crachá. Muitos dos profissionais que procuram os serviços de um coach de carreira enxergam apenas uma evolução linear para suas carreiras. Por exemplo, um analista de finanças na indústria de bens de consumo consegue enxergar apenas uma evolução para uma gerência na mesma área e setor. O segredo está na interseção das habilidades, experiências, paixões e talentos, e quando as pessoas conseguem conectar estes pontos, desvendam um universo de possibilidades. 

Finalmente, tudo que nos desafia e nos força a repensar o mundo e o nosso papel nele resulta no fortalecimento da nossa habilidade de nos reinventarmos em tempos de crise e enfrentarmos situações inesperadas. Resulta em maior resiliência, autoconhecimento e autoliderança, elementos fundamentais de profissionais que trazem impacto positivo ao mundo e, não menos importante, vivem uma vida pessoal e profissional integrada, repleta de significado e felicidade.


Alex Anton é MBA pela Harvard Business School e gosta de se provocar a sair da zona de conforto, tanto no campo profissional como pessoal. Já morou e trabalhou no Canadá, Alemanha, Suíça, Indonésia, Estados Unidos e China. É co-fundador da TopMBA Coaching – www.topmba.com.br – e entusiasta da meditação, fotografia e corrida.

Rajesh Montoya Rani é economista e cientista político pela University of Michigan e Service Thinker pela Escola de Inovação em Serviços (EISE). De ascendência indiana e colombiana, está acostumado a viver longe da zona de conforto: é cidadão do mundo desde criança e já morou no Paraguai, Estados Unidos, Inglaterra, Libéria, Tanzânia e Quénia. É co-fundador e consultor do Mewe, coletivo de profissionais do universo de inovação, coach na TopMBA e Gerente de Programas do Amani Institute Brasil – www.amaniinstitute.org.

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