O mercado de desenvolvimento de Games no Brasil

Todos os gamers brasileiros que se prezam desejam não só que o mercado de games cresça cada vez mais em nosso país, mas também ganhe destaque e reconhecimento internacional. E estamos no caminho certo, pois este mercado está em ascensão e muito disso é graças a eventos importantes como a Brasil Game Show, Brasil Game Cup e ao trabalho duro e cheio de paixão de diversos desenvolvedores nacionais e jogadores profissionais de eSports. Fato é que mesmo em pleno crescimento, nosso mercado de games ainda é pequeno e com pouco destaque se comparado aos poderosos mercados europeu, japonês e norte-americano.

Mas este cenário está mudando e o gamer brasileiro ficará feliz de saber o que está por vir!

A expectativa para o mercado de games no Brasil

A produção de games eletrônicos (também conhecidos como jogos eletrônicos) começa a se estruturar e apresentar crescimento consistente no Brasil. Dados recentes do Global Games Market Report 2017 e da consultoria Newzoo, confirmam que o Brasil ocupa atualmente o 13° lugar no ranking de países que mais geraram receita no setor, com estimativa de US$ 1,3 bilhões até o término deste ano.

Com o potencial do Brasil em crescer ainda mais neste cenário ao longo dos próximos anos, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) firmou parceria com a Associação Brasileira das Empresas Desenvolvedoras de Games (Abragames). As duas entidades criaram o projeto “Brazilian Game Developers“, com o objetivo de desenvolver e promover a indústria local de games no exterior.

Segundo dados da Apex, em 2015 os estúdios brasileiros desenvolvedores de games eletrônicos e que recebem assistência do projeto fecharam US$ 11 milhões em negócios internacionais. Em 2016, esse número aumentou para US$ 17,4 milhões, um crescimento de aproximadamente 58%. 

O Brasil, por exemplo, já é o 12° país mais rentável nesse negócio. Com tanto crescimento faltam profissionais qualificados para atuar no mercado.

Assim, este artigo abordará sobre a profissão do desenvolvedor de jogos e trará um panorama desse setor no Brasil e no mundo. Confira!

Como é o trabalho de desenvolvimento de jogos?

O desenvolvimento de jogos não se restringe apenas a uma profissão, várias carreiras podem ser desdobradas na produção de games. Embora algumas atividades sejam mais lembradas, é preciso uma mescla de profissionais para deixar tudo funcional. Veja abaixo algumas profissões para quem deseja desenvolver na área:

  • Designer de games: o designer ou projetista de jogos é a pessoa que elabora o conceito do game. Para isso, precisa utilizar a criatividade para formar um conceito que seja de fácil entendimento para os outros profissionais, mas que ao mesmo tempo surpreenda os jogadores.
  • Animador de games: é o profissional responsável pela movimentação do jogo. Os animadores são, em sua maioria, formados nos cursos de computação gráfica.
  • Programador: é um dos mais importantes no desenvolvimento. Ele é quem escreve os códigos para dar funcionamento correto ao game.

Além desses, os editores de som e vídeo, técnico em 3D e roteiristas são outros profissionais que fazem parte do desenvolvimento de um jogo. Assim, é importante identificar qual atividade se encaixa melhor no seu perfil antes de dar o pontapé inicial.

Os editais para games eletrônicos no Brasil

Mariana Gomes, gestora de projetos da ApexBrasil, afirma que a expectativa é que a cifra deste ano supere os resultados de 2016. Ela enfatiza que é “o ano dos games brasileiros”. “Muito do que aconteceu desde 2013 até hoje foi produção e desenvolvimento de jogos. A gente está entrando agora na fase de lançamento deles”. Mariana ainda informa que, também neste ano, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) lançou dois editais totalizando R$ 20 milhões em recursos para empresas criadoras de games eletrônicos.

Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública destinada a estimular a ciência, também lançou um edital no valor de R$ 15 milhões para o mercado de games no Brasil. Segundo Mariana Gomes, é o primeiro edital específico para estúdios desenvolvedores de games eletrônicos lançado pela Finep.

O primeiro edital da Ancine totalizou R$ 10 milhões, apoiou 25 jogos em três categorias diferentes: ao custo de R$ 250 mil, R$ 500 mil e R$ 1 milhão para serem desenvolvidos. Com o outro edital que está em vigor no mesmo valor, vêm mais 25 jogos nessas três categorias. O dinheiro da Ancine é destinado para o desenvolvimento de games e o da Finep para a empresa se fortalecer no mercado.

Games Nacionais que são sucessos mundiais

Um destaque é Carcará: Asas da Justiça, game que segue o advogado Fábio Carcará em sua missão de ajudar os que mais precisam. Para isso, ele mesmo coleta provas, faz investigações e defende seus clientes no tribunal.

Criado pela Supernova Indie Games, o jogo pode até ser comparado com o seriado CSI, uma vez que o jogador deve ter muito jogo de cintura para enfrentar os inimigos em um sistema de interrogatório criado para o game, assim como ele também precisa utilizar de forma correta os itens coletados no cenário para desvendar os casos.

O game pode ser baixado gratuitamente para Windows, Mac, Linux e celulares Android no site oficial da desenvolvedora.

Outro jogo de destaque é Dengue Over, da Ilusis Interactive. Nele você aprende sobre riscos e modos de prevenir a dengue. A missão aqui é alertar os moradores da sua rua sobre os problemas ocasionados pela doença e defender a vizinhança do mosquito ao inspecionar as casas procurando focos do inseto. Mesmo sem data de lançamento, o jogo voltado para escolas foi um dos oito selecionados pelo BIG Starter do BIG Festival, um projeto que escolhe jogos independentes para receberem investimentos.

Como afirma o coordenador do curso de Design de Games da Universidade Anhembi Morumbi, Delmar Galisi, é possível perceber que o mercado de games cresceu bastante por aqui.

— Nos anos 1980 e 1990, você tinha iniciativas de desenvolvimento de games no Brasil, mas era algo muito isolado. A partir dos anos 2000 é que começou a surgir muitas empresas de jogos, e de lá para cá temos tido um crescimento grande mesmo, uma linha ascendente.

O desenvolvimento chegou em um ponto que até mesmo pessoas não especializadas são capazes de criar jogos, como é o caso dos estudantes Alexandre Nowacki e Wesley Raymundo que desenvolveram um jogo voltado a portadores de deficiências motoras.

Say It The Game é um game no qual o jogador controla todas as ações do personagem apenas por comandos de voz. Na história, o persoangem deve fugir no meio da mata do Mapinguari, personagem do folclore brasileiro. Para ajudá-lo, Saci Pererê, Mula Sem Cabeça e outras lendas estarão presentes no game.

Com o aumento da produção de títulos no país, por que ainda não ouvimos o nome de jogos brasileiros nas rodas de conversas sobre games? O motivo é o mercado, segundo Galisi.

— O desenvolvimento está muito globalizado. Ao fazer um game, você não está pensando no mercado nacional, hoje se desenvolve para distribuir um jogo no mundo inteiro. É difícil você olhar só para o mercado brasileiro, assim como os jogos que são feitos lá fora são comprados por brasileiros.

Profissionais com qualidade

O mercado de jogos no país ainda é relativamente novo. O curso de Design de Games na Universidade Anhembi Morumbi foi aberto há apenas nove anos, enquanto o curso de Jogos Digitais no Senac São Paulo está formando sua nona turma.

Enquanto alguns títulos se destacam pela qualidade, muito disso é proveniente de tentativa e erro, avalia o professor de Jogos Digitais do Senac São Paulo, Guilhermes Damian.

—  A gente ainda tem que comer muito feijão com arroz para chegar no nível dos profissionais do exterior porque eles estão há muito mais tempo nesse mercado. A academia brasileira, seja a faculdade ou pós graduação, não está preparando um profissional para o mercado brasileiro e sim para um mercado que não ainda existe aqui.

Ao contrário dos grandes estúdios em países como Japão e EUA, no qual cada profissional é responsável por um setor, aqui no país as empresas ainda engatinham, e muitas vezes os desenvolvedores precisam se desdobrar em diversas funções para tirar uma ideia do papel. Em vista disso, é normal que o Brasil ainda precise de tempo para se adaptar no mercado, conforme explica Galisi.

— O Brasil é uma indústria nova, ainda está ganhando musculatura. Os cursos de desenvolvimento de jogos têm apenas 12 anos, então a formação de mão de obra é recente. Outro fator é que é difícil penetrar tão rapidamente no mercado, ainda precisa de um pouco de tempo porque você concorre com mercados que são mais globalizados.-

Outro fator que atrapalha o desenvolvimento do setor é a falta de colaboração entre as produtores, na opinião de Marivaldo Cabral, sócio da QUByte Interactive.

— O que falta é as produtoras divulgarem mais informações, divulgar o que acertaram, o que erraram. Existe muita integração do ponto de vista técnico, mas quando se fala do negócio em si existe esta falta de informação.

 

Ramos de Souza Janones

Janones, é um empreendedor brasileiro apaixonado por empreendedorismo e tecnologia. Ao longo dos anos trabalhando com o desenvolvimento de softwares desktop desde a linguagem Clipper, passando pelo Delphi e atualmente com Java.

Optou pela formação de Publicidade e Marketing por sua segunda empresa de tecnologia ter participado do "boom" da internet nos anos 90 e na procura de melhorar seus conhecimentos em negócios.

Em razão da principal formação e profundos conhecimentos em programação e banco de dados, é capaz de realizar o desenvolvimento de aplicativos web, desktop e mobile com maior criatividade e inovação que profissionais de desenvolvimento com uma formação única e mais especifica, dedicada somente ao desenvolvimento de softwares.

Com toda sua experiência com empresas de software, sua formação e paixão por negócios escreveu o livro "Marketing para Empresas e Profissionais de Software", publicado pela editora carioca Ciência Moderna em 2012. Além de outros livros sobre programação.

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