Trecho de “Os Axiomas de Zurique” sobre risco

Trecho de “Os Axiomas de Zurique” sobre risco

14 de abril de 2017 0 Por Ramos de Souza Janones

Preocupação não é doença, mas sinal de saúde. Se você não está preocupado, não está arriscando o bastante. 

Menos ego e mais risco. Como diria o Tio Ricco.

(…)A maioria dos psicólogos e psiquiatras da atualidade diria que isso é bom(SOBRE SEGURANÇA DA VIDA). Uma das principais convicções da psicologia moderna é que a sanidade mental significa, acima de tudo, manter-se calmo. Essa pouco examinada convicção domina, há décadas, o pensamento analítico. (…) Os analistas garantem que as preocupações nos fazem mal. Eles não oferecem nenhuma prova confiável de que tal assertiva seja verdadeira. Ela se transformou em verdade aceita simplesmente por ser repetida infinitas vezes. 

Os devotos de disciplinas místicas e meditacionais, especialmente as asiáticas, vão mais longe. Valorizam tanto a tranquilidade que, em muitos casos, estão dispostos até a suportar a pobreza em nome dela. Algumas seitas budistas, por exemplo, afirma que não se deve lutar pela posse de bens materiais, e que a pessoa deve até abrir mão dos que possui. A teoria diz que, quanto menos o indivíduo tiver, menos terá que se preocupar.

(…)se seu objetivo na vida é fugir das preocupações, então nunca deixará de ser pobre. 

E vai morrer de tédio. 





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A vida é pra ser vivida como uma aventura, não vegetando. E pode-se definir aventura como um episódio no qual se enfrenta algum tipo de risco e se procura superá-lo. Ao enfrentar riscos, a sua reação natural, sadia, será a de entrar num estado de preocupação. 

Preocupações são parte integrante dos grandes prazeres da vida. Casos de amor, por exemplo. Se você teme se comprometer e assumir riscos, jamais se apaixonará. Sua vida calma como um lago azul, mas quem quer uma vida assim? Outro exemplo: os esportes. Um acontecimento esportivo é um episódio no qual os atletas, e por tabela os espectadores, se expõem a riscos – com s quais se preocupam loucamente. Para a maioria dos expectadores é uma pequena aventura, mas para os atletas, uma aventura de grandes proporções. É uma situação na qual o risco é cuidadosamente criado. Não iriamos assitir a eventos esportivos, nem qualquer outra competição, se não nos dessem alguma forma de satisfação básica. Precisamos de aventuras.

As vezes, talvez precisemos também de tranquilidade. Mas isto não nos falta à noite, quando dormimos, além de algumas horas passadas acordados, na maioria dos dias. Em 24 horas, oito ou dez de tranquilidade deveriam ser suficientes. 

Sigmund Freud compreendia a necessidade de aventura. Embora se mostrasse confuso com o “objetivo” da vida, e tivesse uma tendência a perder-se em incoerências quando tratava do assunto, não tinha ele a improvável convicção de que o objetivo da vida é ter calma. Muitos dos seus discípulos acreditavam nisto, mas não ele. Na realidade, fazia até um esforço para ridicularizar a ioga e outras disciplinas psicorreligiosas asiáticas, que considerava como as expressões máximas da escola de sanidade mental que tem o “mantenha a calma” por princípio. Na Ioga, o objetivo é alcançar a paz interior à custa de tudo o mais. Como observou Freud em “O mal estar da civilização”, qualquer pessoa que alcance plenamente os objetivos de tal disciplina, “sacrificou a sua vida”. Em troca de que? “Terá apenas alcançado a felicidade da quietude”. 

Parece mau negócio. 

A aventura é que dá sabor à vida. E a única maneira de viver uma aventura é expondo-se à riscos.(…)” – Os Axiomas de Zurique

 

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